O crime de ódio mais antigo do mundo

Como a misoginia está sendo usada para sufocar o debate das mulheres sobre sexo e gênero

Traduzido do site da campanha Fairplay For Women, grupo apartidário que visa defender mulheres e meninas das possíveis vulnerabilidades legais que as novas leis de identidade de gênero podem criar ao remover proteções específicas ao sexo feminino.

Este relatório discute a forma como a voz de algumas mulheres tem sido calada dentro do debate político e social sobre sexo e identidade de gênero. As mulheres têm uma contribuição importante e legítima a fazer, mas essa censura está impedindo um debate justo e livre. O objetivo deste relatório não é apontar as questões e preocupações das mulheres, mas o de destacar como e porque as mulheres têm sido excluídas. Isso é conseguido através da demonização das mulheres com visões críticas de gênero através do uso difundido de ofensas misóginas e acusações de transfobia. Esse relatório descreve as formas como mulheres estão sendo vítimas de abuso, hostilidade e ações criminosas motivado por ódio e preconceito no que diz respeito às suas opiniões sobre sexo e gênero. As consequências disso são que as visões das mulheres não estão sendo representadas com justiça por conta de silenciamento baseado em ódio, por causa de medo, vergonha e rejeição.

1.0 Cenário político

O governo britânico anunciou sua intenção de reformar o Ato de Reconhecimento de Gênero de 2004 [GRA, na sigla em inglês]). Em outubro de 2007, Theresa May disse publicamente: “Temos planos de reformar o Ato de Reconhecimento de Gênero, simplificando e desmedicalizando o processo de mudança de gênero, porque ser trans não é uma doença e não deveria ser tratado como tal”. A Secretaria do Governo para Igualdade está atualmente rascunhando um documento de consulta pública a ser publicado em algum momento este ano. Esse documento vai informar a Ministra de Mulheres e Igualdades (atualmente Amber Rudd), que vai trazer ao governo propostas na forma de um projeto de lei para o parlamento.

O governo do Partido Nacional Escocês completou sua própria consulta pública com planos de usar seus poderes constituídos para implementar um processo de auto declaração na Escócia. Ela também propõe a introdução de um sistema legal de mudança de gênero para crianças e o aumento do reconhecimento de identidades não-binárias. Estamos atualmente esperando os resultados dessa consulta serem publicados e o projeto de lei a ser apresentado no parlamento escocês.

Partidos oposicionistas também expuseram suas intenções de reformar as leis de reconhecimento de gênero com o manifesto do Partido Trabalhista de 2017, afirmando: “Um governo Trabalhista irá reformar o Ato de Reconhecimento de Gênero e o Ato da Igualdade de 2010 para assegurar que protejam as pessoas Trans mudando as características protegidas [por lei] ‘atribuição de gênero’ para ‘identidade de gênero’ e remover outros termos desatualizados como ‘transsexual’”. Jeremy Corbyn também indicou seu apoio à auto identificação de gênero, evidenciado por essa afirmação feita no programa de Andrew Marr da BBC em janeiro deste ano: “A posição do partido é que se você se auto identifica como uma mulher, então será tratada como uma mulher”.

O manifesto dos Democratas Liberais afirma: “Apoiaremos uma atualização do GRA para que seja mais inclusiva removendo a exigência de um diagnóstico para disforia de gênero”. A líder do Plaid Cymru [partido de centro-esquerda do País de Gales], Leanne Wood, afirmou publicamente: “Acredito que mulheres trans são mulheres” ainda que não tenha firmado nenhum manifesto assumindo esse compromisso.

A questão dos direitos dos transgêneros é, então, uma área de debate político legítima e ativa na qual todos os envolvidos têm o direito de se envolverem e se espera isso deles. Há também um debate mais amplo e necessário a respeito das definições e do uso de certas palavras (sexo, gênero, macho, fêmea, mulher, homem, gay, hétero etc).

2.0 Mulheres também têm interesses em jogo nesse debate

As mudanças propostas nas leis de reconhecimento de gênero significam que o processo de mudar o sexo legal de alguém de masculino para feminino (e vice-versa) será feito de forma mais rápida e fácil. Atualmente, a pessoa deve prover evidência médica a uma Banca de Reconhecimento de Gênero antes de receber um Certificado de Reconhecimento de Gênero (GRC, na sigla em inglês). Uma vez que um GRC completo é atribuído a um requerente, o gênero da pessoa muda para o gênero requerido, de modo que um requerente que nasceu homem poderia, pela lei, e para todos os efeitos, se tornar uma mulher. Eles podem obter uma certidão de nascimento substituta com sua designação sexual pretendida. Mudar os critérios pelos quais uma pessoa nascida homem pode se tornar legalmente mulher vai potencialmente impactar mulheres legalmente fêmeas em virtude de seu nascimento como tal. Desse modo, mulheres também têm interesses em jogo nesse debate além da comunidade transgênero, e têm um papel legítimo a cumprir em qualquer debate ou tomada de decisão.

Se mudar a designação sexual legal de alguém se tornar nada mais que um processo de auto identificação (por exemplo, assinando um formulário), então isso significa efetivamente que qualquer homem pode se capaz de se declarar mulher. Uma vez que crimes violentos e sexuais são majoritariamente cometidos por homens, e mulheres são as vítimas desses crimes, qualquer mudança na lei e na cultura que aumenta a possibilidade de homens acessarem espaços e serviços destinados exclusivamente a mulheres deve ser considerad nos termos de seus impactos na segurança, dignidade e privacidade das mulheres. As mulheres têm algumas importantes preocupações e questões sobre isso, que incluem:

  • Como as mulheres prisioneiras serão mantidas em segurança se qualquer prisioneiro homem pode mudar seu sexo legal (sem qualquer exigência de cirurgia ou tratamento médico) e ser realocado a uma prisão feminina?
  • Se tanto nascidos homens e nascidas mulheres podem ser legalmente reconhecidos como mulheres, como a discriminação sexual que as mulheres sofrem baseada em sua biologia poderia ser registrada, monitorada e diminuída?
  • Como as mudanças legais afetarão os direitos e a disposição de uma organização de invocar as isenções legais para um único sexo, a fim de manter espaços exclusivamente para mulheres apenas para nascidas mulheres?
  • Com o súbito e rápido crescimento do número de crianças sendo encaminhadas a serviços de especialistas em gênero (a maioria meninas adolescentes), cujo tratamento pode resultar em intervenções médicas pelo resto da vida e esterilidade, como pais e profissionais podem garantir que essas crianças estejam a salvo, na ausência de pesquisas de longo prazo baseadas em evidências?
  • Como o aumento observado de transições de jovens mulheres lésbicas em homens transgêneros héteros pode impactar a comunidade lésbica? Como o aumento observado de homens héteros se identificando como mulheres trans lésbicas impacta a comunidade lésbica?

O objetivo deste documento não é responder essas questões, mas meramente mostrar a ampla gama de tópicos slegítimos que impactam e preocupam mulheres, e porque a qualquer mulher deve ser permitida a participação livre nesse debate público e político.

3.0 O silenciamento direcionado a mulheres

Há evidências claras de que mulheres que fazem perguntas ou demonstram suas preocupações estão sendo especificamente alvo de silenciamento. Seus motivos e visões são injustamente denunciados como transfóbicos e inspirados em ódio. Isso impacta diretamente essas mulheres, mas também induz um clima de medo e vergonha para impedir que outras mulheres falem ou aprendam mais sobre as questões que também as impactam. Também significa que as vozes de algumas poucas mulheres que conseguem ser ouvidas sejam repudiadas ou desacreditadas. A demonização e a marginalização do papel de um grupo na sociedade é uma tática bem conhecida. É explorada pelos opressores e não deve ser tolerada numa sociedade democrática onde o princípio da liberdade de expressão é encorajado e valorizado. Alguns exemplos bem conhecidos incluem a demonização dos judeus por Hitler, a difamação racista de imigrantes, e o desastre de Hillsborough provocado pelos torcedores do Liverpool em uma briga de torcida [1].

Mais especificamente, a estratégia misógina de tornar mulheres em alvos para silenciá-las e controlá-las é uma tática bastante antiga. A queima de bruxas, os assassinatos por honra, a culpabilização de vítimas de estupro, e a desmoralização das mães solteiras são apenas alguns exemplos. A Sociedade Fawcett recentemente tornou público seu apoio para que a misoginia seja considerada um crime de ódio juntamente com racismo, transfobia, homofobia etc. A misoginia é comum em todo lugar e não é um fenômeno novo, e tem todas as características identificáveis de ser motivada por ódio e preconceito.

A transformação de mulheres que se engajam no debate sobre identidade de gênero em alvo motivada por ódio é claramente evidente. Isso pode ser visto através do uso de termos ofensivos sexistas para demonizar esse grupo de mulheres e normalizar a violência contra elas. Isso facilita o controle das mulheres pelo medo, vergonha e rejeição. Mulheres estão sendo silenciadas pelo medo de violência na vida real ou de danos em suas carreiras e reputações. Mulheres têm sido silenciadas através da vergonha de terem seus nomes expostos publicamente e suas opiniões rotuladas como cheias de ódio e transfóbicas. Mulheres têm sido silenciadas por rejeição, tendo suas opiniões desacreditadas ou censuradas. Todos esses três métodos serão agora discutidos e ilustrados com exemplos.

4.0 O uso de termos ofensivos sexistas para demonizar e normalizar a violência contra mulheres

O termo TERF é agora comumente usado como uma ofensa sexista para rotular como transfóbicas e preconceituosas mulheres que falam a respeito desses assuntos, que então devem ser afastadas e ignoradas. Ainda que tenha sido originalmente definido por seus oponentes como um acrônimo de Feministas Radicais Trans Exclusionárias, ele é agora usado para descrever literalmente qualquer mulher que faça perguntas ou levante suas preocupações no debate sobre transgêneros. Essa palavra não é reservada apenas para as mulheres mais ousadas e provocadoras, mas para qualquer mulher comum. Qualquer mulher.

Há clara evidência de que “terf” agora aparece como insulto, ameaça e incitações, e sua designação como um insulto é discutida por experts em linguística como Deborah Cameron. “Terf” agora é usado em um tipo de discurso que tem claras similaridades com discursos de ódio direcionados a outros grupos. “Terf” aparece com frequência nos mesmos tweets junto com outras palavras das quais não se divida de seu caráter enquanto ofensas sexistas, como “cadela” e “puta” [cunt]. Outras palavras que também aparecem incluem “nojenta”, “feia”, “escória” e mais um grupo de palavras que implicam em sujeira (“fedor”, “ranço”, “lixo”, “imundície”) — que também são um tema bem explorado nos discursos racista e antisemita. Da mesma forma, o insulto sexista feminazi é também frequentemente usado.

Na imagem, transativistas ofendem mulheres com insultos e as ameaçam de violência.
Na imagem, transativistas ofendem mulheres com insultos e as ameaçam de violência.
Ofensas e ameaças de transativistas direcionadas a mulheres que questionam suas ideias.
Ofensas e ameaças de transativistas direcionadas a mulheres que questionam suas ideias.

Feministas têm há anos alertado contra a retórica violenta vinculada à palavra “terf” e tem-se escrito frequentemente sobre seu uso como um termo sexista de ódio; Megan Murphy, Clare Heuchen, Rebecca Reilly-Cooper, Sarah Ditum. Piadas e ameaças envolvendo vioência contra mulheres, muitas vezes indistinguíveis, são agora comuns na internet. Emblemas vendidos na Etsy misturam a libertação dos trans com violência contra mulheres. Mulheres não abordam os assuntos sexo e gênero a partir de uma posição de poder — o sexo biológico tem sido usado, por centenas e centenas de anos, para oprimir mulheres.

O transativista do sexo masculino Katherine Drevis ameaça mulheres de violência abertamente.
O transativista do sexo masculino Katherine Drevis ameaça mulheres de violência abertamente.
Mais ameaças e violência contra mulheres sendo trivializada.
Mais ameaças e violência contra mulheres sendo trivializada.

Mulheres podem ser rotuladas como transfóbicas odiosas por expressarem quase qualquer tipo de opinião ligada à biologia das mulheres. Por exemplo, Nimko Ali foi condenada por transativistas como transfóbica por conta de suas opiniões enquanto sobrevivente e ativista contra a mutilação genital feminina.

Negar a realidade biológica do dimorfismo sexual da espécie humana é hábito comum de transativistas.
Negar a realidade biológica do dimorfismo sexual da espécie humana é hábito comum de transativistas.

Outras mulheres são condenadas por apontarem que mulheres têm necessidades específicas, proteções e experiências que carecem de provisões legais de serviços e espaços apenas para mulheres.

Debater racionalmente não é uma especialidade dos transativistas.
Debater racionalmente não é uma especialidade dos transativistas.

Há literalmente centenas de exemplos de posts em mídias sociais usando a palavra “terf” e outras do tipo para desmerecer e ameaçar mulheres. Esses exemplos são catalogados em uma porção de sites como Terf is a slur, Transcriticalhate, Anti-female receipts, The new basklash.

5.0 Silenciando mulheres através do medo

As mulheres estão sendo controladas através do medo das consequências de suas discussões a respeito do conceito de identidade de gênero e por levantarem questionamentos e preocupações. A violência física, intimidação e danos à reputação e carreira dispensados àquelas que falam a respeito as deixam com medo de continuarem falando. Isso também funciona como um aviso a outras mulheres, que temem que o mesmo ocorra a elas. Para algumas mulheres com famílias e outros compromissos, o custo pessoal a si mesmas e aos que delas dependem é simplesmente alto demais para se colocar em jogo.

5.1 Mulheres temem ameaças de violência real

Pesquisas têm mostrado uma ligação clara entre desumanização de grupos sociais e a perpetração de violência contra eles. É óbvio que a desumanização das mulheres ao ponto de serem consideradas alvos legítimos de violência aumenta o risco de violência física contra elas. Quando a sociedade aceita ou não questiona essa retórica de “soque uma terf”, então as testemunhas disso se tornam cúmplices. Essa incitação ao ódio às mulheres consideradas “terfs” (incluindo mulheres que simplesmente se associam ou querem ouvir o que “terfs” têm a dizer) fez com que uma mulher apanhasse.

Em 13 de setembro de 2017, uma mulher de 60 anos chamada Maria MacLachlan levou um soco e foi atirada ao chão por manifestantes que aguardavam para ver uma palestra chamada “O que é Gênero” sobre mudanças na lei de reconhecimento de gênero. O incidente no Speaker’s Corner de Londres foi filmado e o transativista Tara Flik Wood foi preso pela polícia. O julgamento está agendado para abril. Wood postou nas mídias sociais pouco antes: “Quero foder com algumas terfs”.

Transativista compara mulheres que fazem perguntas demais a facistas.
Transativista compara mulheres que fazem perguntas demais a facistas.

Em novembro de 2017, Helen Steel interveio para que se parasse o bullying direcionado a duas mulheres que estavam distribuindo panfletos sobre a reforma do GRA na Feira de Livros Anarquista que foram cercadas e ameaçadas por transativistas. Meia hora depois, ela foi cercada por durante uma hora por um grupo de cerca de trinta transativistas que gritavam ofensas misóginas como “terf feia”, “escória terf fodida”, “cadela”, “fascista” entre outros.

Em março de 2018, Paula Lamont foi violentamente e verbalmente assediada e intimidada por um grupo de pessoas gritando “Terf Terf Terf” e “Tirem-na daqui, ela é uma Terf”. A polícia interferiu. Acredita-se que o ataque está relacionado a terem-na reconhecido por ter participado de um encontro sobre as mudanças planejadas para a GRA feito pelo A Woman’s Place UK (WPUK) em Londres em 27 de fevereiro. Paula disse: “O que mais me entristece sobre esse incidente é que, da grande turba que me cercou e presenciou um ataque completamente unilateral e não provocado, ninguém se sentiu inclinado a interferir. Foi um exemplo chocante de mentalidade de manada. Em nenhum momento eu disse ou fiz qualquer coisa que pudesse ser interpretado como agressivo ou ofensivo”. Esse incidente alarmante não destaca apenas como mulheres individuais agora correm riscos pessoais para conseguirem acesso a informação a respeito de mudanças que vão impactá-las. Ele também mostra como outras pessoas também estão assustadas demais ou simplesmente não estão dispostas a interferir e apoiarem o direito das mulheres de participarem do debate. A filmagem desse incidente pode ser vista aqui.

Pichações incentivam a violência contra mulheres que questionam a ideologia trans.
Pichações incentivam a violência contra mulheres que questionam a ideologia trans.

Há também muitos casos de violência acontecendo fora do Reino Unido. Aproximadamente trinta transativistas vandalizam, destruíram livros e assediaram feministas na abertura da Biblioteca das Mulheres de Vancouver, administrada por trabalho voluntário. Em suas paredes foram pichadas as palavras “FORA TERFS”. Apesar das alegações dos manifestantes de que a biblioteca era “exclusionária de trans e trabalhadoras sexuais”, ela não é nada disso, e o site da biblioteca afirma: “Nós saudamos todas as mulheres, independente de credo, classe, gênero, raça, sexualidade”. Os manifestantes exigiam que vinte livros fossem banidos da biblioteca.

Mulheres que participavam de um evento do WPUK em Edimburgo foram assediadas por manifestantes. Eles fizeram barulho durante todas as palestras, incluindo gritar enquanto mulheres contavam suas experiências com a violência masculina. Eles estavam mascarados e filmavam as participantes. Depois, atacaram o local. Transativistas também enviaram mensagens diretas individualmente para as mulheres que acompanhavam o WPUK nas mídias sociais, em uma clara tentativa de intimidar futuras participantes.

Transativista tenta impedir discussão a respeito do "A Woman's Place UK"
Transativista tenta impedir discussão a respeito do “A Woman’s Place UK”

5.2 Mulheres têm medo de danos à sua reputação profissional

O medo de serem rotuladas como “terfs” significa que muitas profissionais estão impedidas de falar sobre o assunto abertamente em público ou no trabalho. Isso é particularmente comum entre mulheres que trabalham na academia ou em serviços em favor das mulheres. Há uma thread muito esclarecedora no Mumsnet onde mulheres postam sobre como temem que suas reputações profissionais sejam prejudicadas e suas ambições de carreira, ameaçadas. Inúmeras envolvidas no setor de apoio às mulheres têm sido silenciadas temendo que o serviço social voltado a mulheres que realizam possa ser impactado de modo prejudicial. Esses temores incluem que os serviços prestados nessas casas de apoio virem alvo de transativistas ou tenham seu financiamento cortado. O medo pelo corte de verbas está dentro do contexto que vai de 2010 a 2015, quando autoridades locais que financiavam serviços de combate à violência contra a mulher como abrigos e aconselhamento foram cortados em média em 30%, apesar de a violência contra mulher ter sido um crime que aumentou neste mesmo período de tempo. Serviços genéricos de “tamanho único” de grandes prestadores de serviço não especializados também têm levado a preferência em comissões no lugar de serviços especializados e exclusivos para mulheres que as usuárias preferem.

Poucas mulheres estão fora do armário para serem citadas aqui mas fala por si só que as mulheres por trás do WAPOW (Women Analysing Policy on Women, “Mulheres Analisando Políticas voltadas a Mulheres” na sigla em inglês) mantenham-se todas anônimas. O WAPOW submeteu um estudo para o Inquérito para a Igualdade Trans de 2015, mas como todos os outros grupos feministas críticos de gênero, elas não foram convidadas para apresentar suas evidências em nenhuma conferência. Tais grupos são repudiados como “feministas de araque” pela chefe do comitê, Maria Miller.

Em um encontro recente do WPUK em Birmingham, Karen Ingala-Smith (chefe de um refúgio independente para mulheres chamado Nia) compartilhou como ela nunca falou publicamente sobre a questão trans por medo de que seu trabalho de caridade, e as mulheres que ela apoia, se tornem alvos.

Neste exemplo anônimo (à esquerda) a apresentadora mulher sugere aos seus colegas que também incluam visões críticas de gênero [em suas ementas] para que os estudantes saibam a respeito do que é o debate. A resposta foi de que eles só deveriam apresentar o ponto de vista transgênero. O exemplo ao centro mostra uma mulher que foi denunciada ao seu empregador (BBC) por postar um “artigo transfóbico”. O exemplo à direita mostra uma mulher sendo denunciada na universidade onde trabalha por pedir explicações sobre sexo biológico.

Negação da realidade biológica das mulheres é uma das estratégias dos transativistas.
Negação da realidade biológica das mulheres é uma das estratégias dos transativistas.

A acadêmica e filósofa social Heather Brunskell Evans foi a porta-voz eleita pelo Partido pela Igualdade das Mulheres (WEP, na sigla em inglês) para falar sobre políticas sobre violência contra mulheres e meninas. Como consequência por ter expressão sua opinião no programa Moral Maze da BBC Radio 4 em 15 de novembro de 2017, algumas reclamações foram feitas por um ou mais membros do partido WEP.

Interrogada por Michael Burke, ela questionou que se adultos de bom senso não confirmam as afirmações de uma criança de sete anos de que ela é, por exemplo, um astronauta, por que transativistas querem que pais “reafirmem” cada criança que sugere estar “no corpo errado”. Ela também disse que “Uma sociedade genuinamente progressista permitiria aos meninos e meninas ser qualquer coisa que quiserem, então estou absolutamente feliz se garotos quiserem usar vestidos… Mas o problema é quando decidimos que a criança, genuína e internamente, em algum sentido, não é um garoto, mas uma garota, e aí que mora o perigo. Então, acredito que não há nada de errado se um menino quiser usar vestidos.

Depois de uma audiência disciplinar, o Comitê Executivo do WEP atendeu às reclamações e, em 20 de Fevereiro de 2018, ela foi suspensa do cargo para o qual foi eleita.

No final de novembro de 2017, uma reclamação foi feita à universidade empregadora de uma professora sênior de Humanidades a respeito de suposta transfobia no Twitter. Ela recebeu uma carta informando que estava sob investigação formal por transfobia, o que podia levar a procedimentos disciplinares. A questão foi levada às últimas instâncias da Universidade pelo Diretor de Recursos Humanos. A reclamação foi feita por um estudante de uma outra escola e disciplina. Ela foi acusada de transfobia porque retuitou o link para um blog que “trocava o gênero” de um artista performático de gênero fluido. Alegaram que isso era evidência de que ela poderia errar o gênero de algum estudante e que suas visões políticas poderiam dar uma impressão injusta a respeito dos estudantes transgêneros. A reclamação dizia que “se a Dra. X mantiver essas opiniões, não deveriam permitir que ela continue ensinando na universidade”. Depois de dois meses de processo investigativo ela foi considerada não-transfóbica. Entretanto, o estresse experienciado por causa da investigação foi imenso e resultou que ela teve que pôr de lado vários compromissos acadêmicos, em detrimento de sua reputação profissional. Alguns colegas de fato se aproximaram dela para perguntar se estava gravemente doente. Um deles admitiu que pensou que ela tivesse sido diagnosticada com câncer.

Todos esses casos são lembretes incisivos para as mulheres de que as suas reputações pessoais e profissionais são vulneráveis a ataques se elas se engajarem publicamente no debate sobre identidade de gênero. Isso cria um clima de medo e silêncio e, como tal, muito poucas mulheres podem falar contra essa forma de discriminação e ataque ou se engajar em debate público. As poucas mulheres que decidem falar o fazem sobre um custo alto pessoal e sofrem backlash [2] inevitável por fazê-lo.

6.0 Silenciamento através da vergonha e da exposição pública

A exposição pública de mulheres como “terfs” agora é comum. Algumas mulheres têm sido “expostas” nas mídias sociais se identificadas como alguém com opiniões críticas de gênero. Existem listas públicas com nome de usuário de mulheres identificadas como “terfs” no Twitter. A lista de bloqueio do Twitter Terfblocker.com atualmente contém 2638 nomes. O critério para caso você seja colocada nessa lista não é claro. Meu próprio nome de usuário (@asknic) está nessa lista a despeito de eu nunca ter postado um único tweet transfóbico. Meu “crime” é simplesmente que me oponho publicamente às mudanças da GRA 2004 e que escrevo artigos fundamentados em evidência que promovem um entendimento e consciência maiores das preocupações das mulheres nesta área.

O Terfoutlabour publicou uma lista de mulheres membros do Partido Trabalhista que publicamente apoiaram a campanha de financiamento coletivo feita para bancar uma futura objeção legal contra a política do Partido Trabalhista de incluir pessoas auto identificadas como mulheres trans na All Women Shortlist. O
Ato da Igualdade de 2010 dispõe em lei como o All Women Shortlist tem por objetivo o aumento da representação política das mulheres e é restrita somente a membros da categoria protegida por lei do sexo feminino. Pessoas auto identificadas como mulheres trans mantém seu status legal de [pertencentes ao] sexo masculino a menos que recebam o certificado de reconhecimento de gênero para mudar seu status legal para o sexo feminino. Entretanto a política do partido trabalhista tem sido a de permitir legalmente que trans do sexo masculino (sem o certificado) tenham acesso à All Women Shortlist. Essa política está atualmente sob revisão do partido depois de reclamações de que isso não é permitido sob a lei atual. Todavia os três ativistas que criaram esse site para expôr os nomes dessas mulheres alegam que aquelas que apoiam a campanha de financiamento coletivo “intimidam, vitimizam e assediam mulheres trans do Partido Trabalhista”. Um exemplo de carta é dado para que se possa reportar mulheres específicas para “qualquer oficial do partido que você ache que deva ser notificado desse flagrante preconceito”.

Transativistas expõem dados pessoais de mulheres que resistem ao seu assédio online.
Transativistas expõem dados pessoais de mulheres que resistem ao seu assédio online.

Há também contas no Twitter cujo único propósito é “expôr” mulheres.

7.0 Silenciamento através da rejeição das opiniões das mulheres

Impedir mulheres de falar em eventos universitários é comum, indo desde feministas radicais bem conhecidas como Julie Bindel e Germaine Greer até a apresentadora do Women’s Hour Jeni Murray. Isso agora está sendo ampliado até campanhas de grupos de base de mulheres comuns que desejam falar sobre o impacto das leis transgêneros sobre as mulheres. Acontece tanto no Reino Unido quanto em escala global.

7.1 Grupos de mulheres estão sendo impedidos de falar

O Fair Play For Women foi convidado a falar em um evento público sediado pelos departamentos de Política e Sociologia da Universidade de Oxford. Porém, depois de anunciado, os organizadores decidiram cancelar o evento por causa de reclamações de transativistas. Fair Play For Women também foi recentemente convidado pela equipe da BBC a falar sobre a importância de relatos precisos e equilibrados a respeito do debate trans e porque é tudo tão controverso. O evento aconteceu, mas o pessoal da BBC teve a precaução de não anunciar a lista de convidados antes para o caso de acontecerem protestos ou reclamações de transativistas.

Um encontro organizado pelo grupo “We Need to Talk UK tour” estava originalmente marcado para acontecer no clube de futebol Millwall. Porém, depois que o local foi anunciado, o MillWall cancelou dizendo “Nunca vimos algo assim, se referindo aos apelos e reclamações. Em vez disso, o evento foi presidido pelo parlamentar conservador David Davis na Câmara dos Comuns, que disse, em resposta à enxurrada de reclamações, “eu nunca vi algo assim em 13 anos sendo parlamentar”.

O Woman’s Place (WPUK) também organizou encontros abertos por todo o Reino Unido para discutir as implicações das mudanças na lei de reconhecimento de gênero. A política do WPUK é de só divulgar o nome do local logo antes do evento apenas para quem possui ingresso. A prática visa evitar que transativistas tentem intimidar os locais onde acontecem os eventos, de modo a levarem ao cancelamento ou fazer em protestos para perturbar o encontro.

Transativistas ameaçam impedir encontro de mulheres.
Transativistas ameaçam impedir encontro de mulheres.

7.2 Mulheres comuns estão sendo banidas de fóruns online

Agora é comum que mulheres sejam removidas ou tem os seus comentários deletados de grupos de Facebook se postar em algo considerado “terf”. Seguem abaixo alguns comentários que tenho recebido de mulheres comuns a respeito de suas experiências:

‘Uma mulher artista amiga minha foi “convidada a se retirar” de um grande grupo de mulheres artistas da Escócia por dizer que mulheres têm vaginas — ela não é nem feminista ou politicamente ativa.’

‘Foi em um grupo de aleitamento materno. Tomei uma bordoada e tanto. Eles também também tentaram me “expor” no Mumsnet, mas pegaram a pessoa errada. Foi muito ruim, eu tive que desativar o Facebook por um tempo porque acabei recebendo algumas mensagens me dizendo que alguns membros estavam tentando levantar meus dados. Ainda estou abalada, porque era um ótimo grupo até então.’

‘Do grupo Worldschooling — por discordar num tópico sobre qual era o melhor lugar para levar uma criança de 7 anos para ter acesso a tratamentos hormonais.’

‘Do grupo Science-aware Natural Parenting — não fui oficialmente kickada, mas saí depois que muitos outros foram, e quando ficou claro que dizer que “garotos têm pênis” infringe a regra deles de “não usar linguagem transfóbica”.’

‘Não fui banida mas levei uma advertência de um dos administradores no Nerds With Vaginas que minhas opiniões eram “perigosamente próximas de transfobia”. Ela ficou bem puta que muitos membros gostaram do meu post sobre um garoto transgênero que queria processar sua escola por fazê-lo usar a enfermaria para se trocar. Perguntei se ele tinha considerado os sentimentos das meninas adolescentes.’

‘Fui banida do Science-aware Natural Parenting por perguntar o que as pessoas pensavam a respeito do documentário sobre crianças trans de Louis Theroux. Eu sabia muito pouco a respeito de gênero naquela época, mas o objetivo do grupo é que haja conhecimento baseado em evidência, e eu estava perguntando que evidências haviam para a transição de crianças. E quando continuei questionando, me disseram que eu era uma terf transfóbica, e fui banida do rupo sem nenhuma apelação. Foi uma membra regular do grupo por dois ou três anos, e descobrir tudo isso foi realmente muito entristecedor na época.’

Me relataram muitos outros grupos onde mulheres têm sido banidas por postarem visões críticas de gênero ou questões, comentários ou artigos a respeito da biologia das mulheres. Esses grupos incluem o Alternativa Left Women, Dismantling Misogyny, So you want to raise a feminist, How to raise a feminist, Cardiff Feminist Network, Cardiff Feminist Women, Anarcho Feminism 101, Gender Neutral Parenting, Slings and other things off topic, o fórum do Partido Trabalhista, ecologistas científicos… E devem haver muitos outros.

Transativistas exigem que pessoas do sexo masculino possam fazer parte de grupos de escotismo restrito a meninas.
Transativistas exigem que pessoas do sexo masculino possam fazer parte de grupos de escotismo restrito a meninas.

Este [acima] é um exemplo de uma guia de escotismo para meninas (Girl Guiding) que estava preocupada com a segurança em relação ao risco de gravidez e assédio sexual. A política trans para garotas escoteiras é a de permitir que garotos que se identificam como meninas compartilhem a mesma tenda que as meninas, sem o consentimento informado de seus pais. Ela foi reportada e banida do fórum do Facebook por levantar essas preocupações.

7.3 Mulheres lésbicas têm sido silenciadas e sua sexualidade está sendo redefinida

Mulheres lésbicas são um grupo particularmente vulnerável uma vez que são alvo tanto de crimes de ódio homofóbicos quanto misóginos. O conceito de identidade de gênero bate de frente com o sexo biológico como marcador de diferença quando alguém é homem/macho ou mulher/fêmea, redefinindo os conceitos existentes de duas categorias protegidas dentro do Ato da Igualdade; a saber sexo e orientação sexual. Se um homem heterossexual (sexualmente atraído por mulheres) se identifica como uma mulher (sexualmente atraída por mulheres), sua orientação sexual é definida como sendo homossexual. Assim, agora temos pessoas nascidas homens com pênis e testículos dentro das possibilidades de relacionamento para mulheres lésbicas. Lésbicas que manifestam sua preferência por mulheres lésbicas são condenadas como transfóbics por fazê-lo. A teoria transgênero questiona todo o conceito de atração pelo mesmo sexo e é considerada por alguns como homofóbica. Dessa forma, alguns países (como o Irã), onde a homossexualidade é punível com a morte, já têm uma política de transições financiadas pelo estado para transicionar homossexuais para o gênero oposto. Isso efetivamente converte a orientação de uma pessoa gay para heterosexual e é claramente usado como método de conversão. Esses casos destacam o conflito inerente entre as bases teóricas da identidade de gênero (baseada em gênero) e a sexualidade (baseada em sexo). Mais informações a respeito disso podem ser encontradas na página da Lesbian Rights Alliance (LRA) aqui.

Esses exemplos mostram o banimento de uma mulher lésbica que descreveu sua sexualidade como apenas atraída por outras mulheres. Ela foi banida por transfobia e trans-misoginia. Isso é comumente referido como “teto de algodão” (o algodão se refere ao algodão da calcinha das mulheres lésbicas, através do qual homens que se dizem lésbicos esperam poder passar). Muitos outros exemplos de mulheres lésbicas sendo denunciados por suas preferências sexuais podem ser encontrados aqui.

Necessidades específicas de mulheres são rotuladas como "essencialismo biológico" por transativistas.
Necessidades específicas de mulheres são rotuladas como “essencialismo biológico” por transativistas.

Isso se combina com a pressão social para que mulheres lésbicas que se vestem ou se apresentam de uma maneira mais “masculina” transicionem e se tornem homens trans heterossexuais. Isso é particularmente evidente entre a geração mais nova que está rejeitando a identidade lésbica em favor de uma identidade de homem trans ou não-binário. 70% de todas as adolescentes atendidas no serviço especializado em gênero do NHS (Serviço Nacional de Saúde, na sigla em inglês) são meninas lésbicas. A comunidade jovem lésbica é agora virtualmente não existente e a falta de modelos e exemplos de lésbicas para essas criança é pior do que nunca.

A comunidade lésbica está sendo cooptada duplamente, tanto na diminuição da representação quanto na redefinição do lesbianismo para incluir sexo com pênis na vagina. Infelizmente, a mudança de prioridades das organizações LGBT em direção aos projetos transgênero significam que o suporte a comunidade lésbica é ausente em um tempo em que elas mais precisam de ajuda. Mulheres lésbicas que falam dessa discriminação e da homofobia que sofrem estão agora sendo silenciadas e desacreditadas com base em transfobia. Não se está aqui em igualdade de condições. É irônico que, talvez a época em que a sociedade mais considera e mais aceita os direitos dos homossexuais, é a mesma época em que alguns setores da comunidade gay estão sendo severamente marginalizados.

7.4 As vozes das mulheres estão sendo desacreditadas

Mesmo quando as opiniões das mulheres conseguem ser ouvidas elas estão desacreditadas e desconsideradas. O exemplo mais recente tem sido as reações a publicação do pacote de recursos para escolas Transgender Trend.

Organizações transgênero atualmente provém para escolas treinamento e aconselhamento em assuntos do tipo, mas eles promovem somente a afirmação (de gênero) e o modelo de transição social. Em contraste, o guia do Transgender Trend é baseado na proteção do bem-estar dos direitos de todas as crianças, e é voltado para a criação de uma escola saudável para todos, incluindo crianças não conformadas ao gênero e àqueles que se identificam como transgêneros. Esse dia está alinhado com a abordagem “ponderada” dos Serviços de Desenvolvimento voltados à Identidade de Gênero (GIDS, na sigla em inglês) do NHS, especializado em apoiar crianças nas questões de gênero, e tem sido recomendado aos pais pelos chefes do serviço. Mesmo assim, os ataques venenosos de ódio direcionados ao guia e sua autora principal têm sido terríveis, ainda que esperados. É normal agora que qualquer um falando fora da ortodoxia trans seja ridicularizado e difamado.

Na imagem, transativistas assediam até mesmo seus aliados, caso fujam de sua narrativa.
Na imagem, transativistas assediam até mesmo seus aliados, caso fujam de sua narrativa.

Stonewall sugere que o guia seja destruído. Outro tweet sugere que ele deva ser arquivado. O ativista transgênero Guiliana o associa ao Minha Luta, de Hitler. A natureza extremista dessa campanha de difamação tem como intenção silenciar o debate e acabar com a reputação da autora do relatório.

Transativistas incentivam hormonização e sexualização precoce.
Transativistas incentivam hormonização e sexualização precoce.

O trans ativista Shon Faye chama o Transgender Trend de uma organização anti-trans da linha de frente, e que o guia encoraja a terapia de conversão e transfobia institucional.

Um contraste extremo com um tweet anterior de Shon Faye, que resume seu próprio guia para escolas infantis na frase “chupe pau, coloque peitos logo”.

8.0 Conclusão

Através do uso de exemplos reais, este relatório mostra como algumas mulheres estão sendo injustamente visadas e assediadas com base em suas opiniões. Incidentes de ódio e crimes são motivados por misoginia e também homofobia. O resultado é que as vozes de algumas mulheres estão sendo silenciadas através de medo, vergonha e rejeição no atual debate a respeito de sexo e gênero. Isso significa que as leis podem ser mudadas sem que sua opinião seja considerada, a despeito de as mulheres serem uma parte importante no debate e com interesses em jogo que podem ser impactados com qualquer uma dessas mudanças. É crucial que essa forma de ódio misógino seja reconhecido pelo que é, e que não seja tolerado. Isso é essencial para assegurar um debate justo e livre a respeito de sexo e gênero por setores mais amplos da sociedade.


Notas

[1] Maior incidente violento na história do esporte britânico, o chamado Desastre de Hillsborough começou no estádio homônimo como uma briga entre torcedores do Liverpool e do Nottingham Forest. Noventa e seis pessoas morreram e mais de setecentas ficaram feridas durante a confusão, ocorrida em abril de 1986.

[2] Backlash é o termo que descreve uma reação contrária a algum evento, pessoa ou coisa que tenha ganhado notoriedade. Significa literalmente “contra-ataque”, e foi popularizado na teoria feminista com o livro Backlash: o Contra-Ataque na guerra não declarada às mulheres de Susan Faludi (1991).

Sou uma mulher atribulada. E trago questionamentos.

O que está acontecendo?

Como as nossas organizações de Esquerda e comunidade de resistência se tornaram um lugar de medo e ameaças para tantas mulheres? Por que feministas comprometidas de longa data estão temendo pelos seus empregos, suas organizações, seu serviços centrados em mulheres? Como chegamos ao ponto de lésbicas não poderem definir sua sexualidade como “atração por pessoas do mesmo sexo” sem serem rotuladas de exclusionárias? Por que nossas meninas estão tendo que rejeitar o rótulo de “mulher” para poderem fugir das normas da feminilidade compulsória, e fugir de estarem infinitamente disponíveis ao olhar, atenção e regulação masculina? Por que há muito mais garotas trans-identificadas do que lésbicas? Por que estamos apoiando que mulheres jovens amputem seus seios saudáveis? Cadê a proteção da sociedade à fertilidade futura das garotas, uma vez que lhes dão testosterona na puberdade? Onde o nosso feminismo deu tão errado?

Essas perguntas me assombram, e também à vasta maioria das mulheres. Somos as mulheres que lutaram pela nossa libertação, que organizamos abrigos e centros de apoio para mulheres vítimas de estupro e violência, que demos boas vindas às pessoas trans nas nossas vidas sociais e nos nossos movimentos, que defendiam os seus direitos e estávamos a disposição quando eles sofriam abuso.

Mas o que vemos agora é um movimento pelos direitos dos homens venenoso que encontrou o jeito perfeito de enfraquecer, atacar e silenciar aquelas feministas incômodas que ainda insistem que as palavras “mulher” e “homem” significam o que o dicionário diz que elas significam — humana adulta do sexo feminino, e humano adulto do sexo masculino. E que apontam que isso é importante porque os últimos exploram as primeiras, e se nós não pudermos nomear a nós mesmas e aos nossos opressores, não podemos articular uma posição em uma sociedade patriarcal, muito menos nos organizar para acabar com ela. O “jeito perfeito” é nos dizer que eles são a gente, que os nossos limites são exclusionários, que nossa análise a respeito do sexismo, do patriarcado e da misoginia é preconceituosa, que homens que estão insatisfeitos em seus papéis nessa sociedade não têm de fazer nada para destruir a masculinidade compulsória. Em vez disso, eles têm o absoluto direito de se identificar como nós, e não só isso, mas são, na verdade, muito mais oprimidos que nós, afinal “nasceram no corpo errado”, um conceito desumano que contradiz todo o pensamento progressista a respeito de uma visão positiva sobre o corpo.

Além disso, se nós mulheres, nós feministas, nós mulheres da esquerda, que passamos a vida defendendo a abolição dos papéis de gênero, que lutamos com unhas e dentes pelos nossos amigos e parceiros homens, nossos filhos e irmãos, para que fossem libertos das restrições da masculinidade, se ousarmos questionar esse Admirável Mundo Novo, seremos caçadas, linchadas, caladas e excomungadas dos nossos movimentos sociais. Então, segundo eles, é melhor a gente se calar.

Bem, nós ainda não estamos mortas, e algumas ainda resistem.


Tradução do texto: LIVERPOOL RESISTERS. “I am a troubled woman. I have some questions.“. Agosto de 2018.

Masculinismo de esquerda

A batalha no campo ideológico é uma batalha pela posse dos significados. Uma vez com poder para nomear e conceituar — e a infraestrutura necessária para fazer esses nomes e conceitos circularem por aí —, é possível fazer um baita estrago na mente das pessoas. Quando um dos lados da batalha (são muitos, não apenas dois) fraqueja na hora de captar as distorções desses nomes e conceitos, a chance de se fazer a famosa cagada é bem alta. Uma galera que tem deixado bastante a desejar nesse sentido é a tal da esquerda. Fragmentada (pra variar) e sem um projeto político coletivo realmente significativo, esse grupo de pessoas autoidentificadas com os valores desse lado do espectro político grita palavras de ordem e frases feitas que não faz a menor ideia de onde vieram. Na primeira oportunidade, prova a eficácia da Lei de Godwin na internet com acusações rasas de “fascismo”.

Um ato comum desse povo da esquerda é comparar feministas radicais com a direita. A Lila já fez um texto que vale muito ser lido sobre isso, mas as ideias aqui meio que se completam [1]. Na mesma linha de raciocínio que a minha, ela destaca que, não é porque dois grupos apontam para o mesmo problema que eles enxergam as suas implicações de modo igual. Pelo contrário: afirmar esse tipo de coisa é atestado de desconhecimento completo das discussões que acontecem sobre assuntos onde qualquer um dos lados do espectro político têm interesses comuns. É de um simplismo que, se não estivéssemos tão acostumadas com o simplismo com que a esquerda costuma tratar “a questão da mulher”, já tínhamos desistido e/ou botado fogo na porra toda. Se dois grupos apontam para um problema, ainda que com visões tão díspares, isso só prova que o problema existe e que existe consenso, pelo menos, a respeito dessa existência. Tem gente que é canalha, mas canalha não é sinônimo de burro.

Quando a esquerda aponta para o movimento das mulheres e, conforme seus próprios critérios difusos, tenta determinar qual o modo correto de se fazer feminismo, é possível identificar aí pelo menos dois problemas. O primeiro deles é o problema óbvio de sentar no próprio rabo e fazer de conta que eles, a esquerda, sabe jogar o jogo político, algo que os últimos anos têm mostrado que não é verdade. O segundo problema é o de assumir a priori um caráter “identitário” para o feminismo, como se a luta do movimento das mulheres fosse contra “estereótipos” e “discriminações”, exatamente igual a qualquer outra luta de “minorias” que não possua a mesma prioridade que a tão sonhada e prometida revolução dos trabalhadores. Fato é que a esquerda nunca deu muito espaço para as mulheres para além da copa e da cozinha; elas é que tiveram de tomá-lo para si dentro desses movimentos mistos, isso quando não vencidas pelo cansaço.

Todo esse prelúdio foi só para preparar o terreno para o que quero abordar a seguir, o grande motivador para eu ter tirado a poeira do blog: o famigerado vídeo do MamãeFalei na oficina de masturbação feminina [2].

Houve todo um cuidado por parte das organizadoras do evento de deixar claro que se tratava de um evento para mulheres. Mulheres mesmo, as fêmeas da espécie humana. O problema é que relacionar “fêmea humana” ao termo “mulher” é hoje um pecado conceitual. Carreiras políticas e profissionais de mulheres estão sob constante risco de desmoronarem por conta do uso de uma palavra “errada”, mais até que as carreiras políticas e profissionais de homens abusadores, mesmo quando esses abusos acontecem dentro dos ambientes da própria esquerda. Seja por um medo legítimo de desenhar sem querer um alvo nas costas ou por uma crença legítima de que a mulheridade é uma essência a ser sentida a nível cerebral e manifestada no vestuário da seção feminina da Pernambucanas, essas mulheres abriram mão dos termos (e, consequentemente, dos espaços) que a nós nos são caros em nome da “inclusão” (de quê? de quem?), e não souberam peitar um babaca vestido de cachorro-quente cor-de-rosa.

O resultado é que um evento de mulheres voltado a educação sexual é dissolvido em poucos segundos pelo simples fato de o troll profissional que é o MamãeFalei dizer que é uma mulher. A autodeclaração nesse sentido é soberana, e nenhuma das presentes conseguiu questioná-lo quando ele pediu um critério objetivo que pudesse justificar sua exclusão do evento. Ter pinto numa oficina sobre masturbação feminina, aparentemente, não era um deles. Mulheres, e o ser/estar num corpo fêmea, com tudo o que isso acarreta, não são mais uma prioridade no movimento das mulheres, porque algumas pessoas que não são mulheres podem alegar que o são. Pela própria lógica das ideias antifeministas que se infiltraram no movimento através da livre possibilidade de se cruzar essa linha definidora, é impossível questioná-las e estabelecer limites. Não se pode usar certas palavras, porque qualquer escorregada no correto uso da novilíngua masculinista de esquerda pode levar ao temido “essencialismo”, seja lá o que queiram dizer com isso.

Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece, e não vai ser a última. Não apenas porque casos assim abundam na história recente dessa “insurgência feminista” que vemos acontecer na internet nos últimos anos — vide o caso do Encontro das Mulheres Estudantes poucos anos atrás, onde um sujeito barbado emprestou uma saia, trocou de nome e insistiu para participar de um evento exclusivo de mulheres; vide, também, o caso do ato do último 8 de março no Rio (8MRJ), onde mulheres foram ameaçadas de violência por homens com escolhas peculiares de vestimenta apenas por não se submeterem à ideia de que 2 + 2 = 5; ou ainda a última Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, onde um grandalhão de vestido e batom disse em visível tom de ameaça que pintos são vaginas com formatos diferentes e que quando mulheres não os aceitam em suas relações lésbicas, isso o deixa triste e é errado. As histórias da Primeira e Segunda Ondas feministas são cheia de exemplos didáticos de problemas que até hoje as mulheres enfrentam em militância mista.

Quando as mulheres deixam essas infiltrações masculinas/masculinistas acontecerem, seja porque esses homens são seus aliados, seus maridos, seus “iguais” (no caso do transativismo), ou seus companheiros de luta, o movimento das mulheres enfraquece. O MamãeFalei estava lá sob o pretexto frouxo de “meus impostos, dinheiro público, tenho direito de estar aqui” [3] — obvious troll is obvious —, mas seu ato provou o ponto das feministas radicais: basta um homem alegar que é mulher, e as mulheres aceitarem essa redefinição (acreditando ou não na pessoa que faz essa autoafirmação), para um espaço de mulheres deixar de existir.

Nosso problema principal enquanto movimento político — e, principalmente, como movimento de massa supostamente politicamente engajado e ligado em rede — é não saber fazer política. Quando não tercerizamos essa política a quem “entende”, a quem tem “acesso”, a quem “já está lá dentro e é nosso aliado” (homens), interpretamos mal a frase da Carol Hanisch e atribuímos a vontades individuais de mulheres específicas o rótulo de “pauta feminista”, tomando como certo tudo o que temos hoje. Ignoramos a história e os feitos do movimento das mulheres. Não fazemos a mais remota ideia de como foi que conseguimos, em menos de cinquenta anos, ir de um estado onde tínhamos os mesmos direitos e autonomia de uma criança a poder trabalhar fora e sair de casa sozinha tarde da noite, apesar da possibilidade de assédio e violência. Precisamos tomar não só a palavra e os espaços, mas criar os nossos próprios, e resistir às tentativas de invasão que, certamente, vêm. Não porque temos um direito adquirido e legitimado pelo nosso “local de fala”, mas porque é urgente que o façamos. Precisamos do feminismo , e não só depois que acontecer a tão esperada revolução do proletariado.


[1] Na mesma época em que a Lila estava escrevendo o texto dela, eu também estava rascunhando esse aqui. Acabei me enrolando porque obviamente sou muito mais incompetente nesse negócio de escrever que ela.

[2] Aqui é a deixa para você, querido e dissonante leitor de esquerda, incluir sua comparação rasa de mim com militantes de direita. Vai que é tua, campeão!

[3] A assembleia legislativa da cidade dele garanto que não invadiu pra saber o que fazem com seus impostos.

Saindo do culto trans

Texto publicado originalmente no blog Purple Sage; traduzido com permissão da autora.

Quando saí do armário como lésbica, foi durante a época da inclusão, quando mais e mais letras foram adicionadasà sopa de letrinhas LGBTQ porque cada minoria sexual precisava de representação. Parecia óbvio que deveríamos incluir a todos — uma vez que nós mesmos sofríamos ostracismo e sabíamos o quão ruim era ser excluído. Queríamos justiça social, queríamos amor e respeito a todas as minorias. Não importa que outra letra fosse adicionada ao acrônimo “queer”, a incluíamos sem questionar. Conheci pessoas de todos os tipos durante minha época na universidade — homens gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, assexuais, pessoas de gênero fluído, etc. Eu acreditava que estávamos trabalhando juntos e ganhando aceitação das pessoas hétero. Durante esse tempo também comecei a aprender sobre o feminismo. A princípio, as várias blogueiras feministas que eu estava lendo não pareciam divergir muito entre si. Mas nos últimos anos, um grande golfo começou a nos dividir. Os assuntos que nos separavam era a indústria do sexo e as políticas transgêneras. Nunca comprei a idéia de que a prostituição era um trabalho que precisava ser sindicalizado — eu era capaz de ver prontamente que se tratava de violência. Mas comprei a idéia da transgeneridade por um bom tempo. Eu acreditava, como éramos ensinados a acreditar, que as pessoas trangêneras eram apenas outra minoria sexual que, como os gays e as lésbicas, precisavam lutar contra a discriminação. Eu queria muito ajudar qualquer grupo minoritário a superar a opressão. Fui ensinada que as pessoas transgêneras tinham nascido no corpo errado e precisavam modificar seus corpos para que correspondessem à imagem interna que tinham de si mesmos. Sou uma pessoa de mente aberta e não tinha nenhum problema em acreditar nisso. Mas um monte de irmãs feministas não estavam abertas a essa idéia. Comecei a entrar em brigas com outras feministas. Queria que elas enxergassem que estavam sendo violentas com uma minoria perseguida, e que isso não era compatível com o feminismo. Eu era contra as “TERFs”. Fui ensinada que estava fazendo a coisa certa.

Foi impossível não fazer pesquisas sobre a transgeneridade porque foi impossível conter as muitas perguntas que continuavam surgindo e eram difíceis de responder. Feministas me desafiavam em discussões perguntando “O que é uma mulher?”. Descobri que não conseguiria responder essa questão. Li livros sobre transgeneridade e finalmente me decidi que “mulher” era uma categoria social, mas isso nunca foi fácil de explicar. Entrei em brigas amargas em comentários de tópicos. Chamei outras mulheres de transfóbicas. Isso me fazia sentir muito, muito mal. Nós mulheres deveríamos estar trabalhando juntas e em vez disso estávamos nos rasgando umas às outras em pedaços. Achei que as coisas que o feminismo radical falava eram exageradas. Não parecia possível que mulheres trans estivessem tentando invadir os espaços das mulheres para nos machucar porque pensei que eram apenas outra minoria sexual perseguida, como os gays e as lésbicas. Pensei que eram apenas mulheres que aconteceu de nascerem com as partes erradas. Qualquer ataque a qualquer uma das letras do acrônimo GLBTQ parecia um ataque a mim, porque eu estava naquele acrônimo também. Achei que todas as pessoas representadas sob o guarda-chuva queer eram iguais — pessoas inocentes enfrentando discriminação.

Transativistas estão constantemente à procura de qualquer coisa que possam condenar como transfóbica. A princípio eram coisas óbvias. Pessoas trans têm direito à emprego, moradia e cuidados médicos, e não deveriam ser vítimas de violência. Claro! Mas as coisas que eram condenadas como transfóbicas comecaram a ficar menos óbvias. Chamar alguém pelo pronome errado se tornou fóbico também. E então, não colocar pessoas trans no centro de todas as conversas se tornou fóbico. Daí, falar sobre biologia e anatomia também se tornou fóbico. Eu era contra as “TERFs” até que um dia li no Twitter que insinuar que mulheres menstruam é transfóbico, e percebi — segundo esse princípio, sou uma TERF. Eu sei que mulheres menstruam e que quem menstrua é mulher, e isso é suficiente para ser uma TERF. A coisa toda começou a degringolar aí. Se todo mundo que tem consciência de que mulheres menstruam são TERF, então todo mundo é TERF. Tudo mundo no mundo inteiro. Isso não faz sentido, uma vez que a maioria das pessoas não é feminista radical.

Sabendo que qualquer uma pode ser chamada de TERF por qualquer coisinha, e que não precisa sequer ser feminista radical para ser caluniada dessa maneira, me fez levar o acrônimo muito menos a sério. Comecei a ficar cada vez mais curiosa pelo que as então chamadas TERFs estavam falando. Os transativistas dizem que as feministas radicais sentem ódio pelas pessoas trans, mas toda vez que eu lia um post de blog de uma feminista radical ele era bem fundamentado, claramente explicado, baseado em fatos, destacava nuances e era compassivo. Nunca encontrei de fato a tal fobia que os escritos das feministas radicais supostamente deveriam conter. O que muitas feministas radicais estão dizendo na verdade é que não concordam com as políticas transgêneras porque as políticas transgêneras em geral são prejudiciais às mulheres, mas elas não desejam que nenhum mal aconteça a quem é transgênero. Elas estão apenas se preocupando com as mulheres, o que é algo que as feministas sempre fizeram.

Quando eu brigava com as chamadas “TERFs” online, elas me mandavam artigos de jornal sobre mulheres trans que cometeram crimes contra mulheres. Eu ignorava isso no começo, pensando que eram histórias exageradas ou que eram casos isolados. Mas com o tempo, os casos isolados começaram a se acumular. Começaram a formar um padrão. Depois de um tempo eu simplesmente não poderia negar que mulheres trans podiam ser violentas com mulheres, da mesma forma que os homens são. Então, lendo as palavras das próprias mulheres trans, no Twitter ou em outras redes sociais, uma coisa se mostrou muito clara: mulheres trans se comportam exatamente como homens. Algumas delas não fazem qualquer tentativa de se comportar da forma que as mulheres se comportam ou de sequer tentar entendê-las, e são abertamente hostis à elas.

O fato de que algumas “mulheres trans” são homens violentos e misóginos que tentam se misturar entre outras mulheres realmente destrói a teoria do “sexo cerebral” e a de “nascido no corpo errado”. Estes homens claramente não são mulheres. Não faz qualquer sentido que tais homens tentem convencer a todos de que são mulheres. A única explicação possível para homens violentos e misóginos alegarem que são mulheres é para que possam entrar nos espaços das mulheres para nos perseguir e conseguir mimos e atenção. É óbvio que seu real objetivo é se infiltrar quando se olha pro ativismo deles. Eles não fazem qualquer tentativa de criar espaços para mulheres trans, ou de defender que elas tenham abrigos, empregos e moradia. Tudo o que tentam fazer é entrar nos espaços exclusivos para mulheres. E estão de fato conseguindo muita atenção da mídia, dos profissionais de medicina, e dos ativistas de gênero.

Tenho visto pessoas entrarem na ideologia trans e perderem a cabeça completamente. Cruzei com pessoas que realmente acreditavam que sexo biológico não existe e que não podiam ter acesso a cuidados médicos a menos que um doutor validasse sua identidade de gênero. Imagine, estar em um país rico com sistema de saúde disponível, e recusá-lo só porque o médico quer tratar seu corpo físico baseado em sua real biologia, em vez de tratá-lo baseado em seus sentimentos? O quão ridículo e absurdo é dizer que você não tem assistência médica quando na realidade tem, e quando há pessoas em países pobres que realmente não têm? Cruzei com homens que serviram no exército, tiveram carreiras fantásticas nas Exatas, foram pais de muitos filhos, e então decidiram que eram mulheres durante esse tempo todo. O quê?! E tenho visto lésbicas que fazem ativismo lésbico, participam da comunidade lésbica, fazem casamentos lésbicos, e de repente dizem que eram homens o tempo todo. Muito disso é puro nonsense, mas se você questionar será chamada de TERF e dirão que você está oprimindo pessoas. É como o criacionismo: inventam falsas evidências que não se sustentam quando verificadas, dizem que a ciência é intolerante com suas crenças, dizem que são perseguidos quando não conseguem forçar suas crenças a outras pessoas, e tentam silenciar e destruir os incréus. Transativismo é um culto religioso.

O efeito que o transativismo tem causado no feminismo é como o de um cavalo de Tróia. Ele entrou silenciosamente ao longo dos anos e então explodiu nos anos 2010, e agora as feministas estão divididas e brigando entre si. Gastamos metade do tempo discutindo se mulheres trans são mulheres e se tal pedacinho do feminismo é “transfóbico”, e isso significa que não estamos mais lutando pela libertação das mulheres. O feminismo deveria libertar as fêmeas humanas da opressão. Não deveríamos estar gastando tempo algum preocupadas com os sentimentos de gênero de homens abusivos. E o fato de que os transativistas geralmente são pró-prostituição deveria nos dizer alguma coisa. Essas pessoas estão lutando pelos direitos dos HOMENS. Agora que vi o que vi, voltei para o verdadeiro feminismo, aquele que luta por mulheres. Não estou mais confusa sobre o que é uma mulher. Uma mulher é uma fêmea humana adulta, como sempre foi. Aprendi algo muito importante: minhas irmãs sempre devem vir em primeiro lugar. Realmente sinto muito pela hostilidade que usei para me expressar com mulheres que têm noção de que mulheres trans são homens. Gostaria de voltar no tempo. Tenho usado uma tag em alguns posts chamada “auge trans”. Auge trans é o ponto em que os transativistas finalmente ficam tão ridículos que até mesmo seus antigos aliados não podem mais apoiá-los. Isso foi o que aconteceu comigo e sei que vai acontecer com mais gente.